Caxias do Sul 03/04/2025

Ter regras claras é dar endereço

É no ato de se dar limites que alcançamos a coerência nas nossas atitudes, palavras e pensamentos
Produzido por Neusa Picolli Fante, 15/03/2025 às 08:59:42
Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas
Foto: Morgane Coloda

À mercê de exigências de todos os lados, na tentativa de ser um bom pai, uma boa mãe, um bom amigo, um bom colega e com a bagagem do que viveram, os indivíduos se gestam. Perguntaria: bom para quem? Para o outro que olha, que critica, que quer controlar, ou para cada um individualmente?

Com essas interrogações, segue sem ter consciência de onde vem o ‘bom’ que incorporou em si, e que ocultas essas interrogações permanecem. No entanto, numa camada sutil da sua consciência, carregam no peito que fazem e tentam fazer em todos os dias o seu melhor...

De qualquer forma, se autoavaliar, desvendar sentimentos e olhar para dentro de si, se transforma numa mudança constantemente que pode ser construída internamente. Segue nas observações que tece intimamente e na argumentação sincera, que constrói, do que chega até ele.

Dar limite, ter regras claras, também é dar endereço. É ensinar, é ajudar a construir indivíduos. Limite para o familiar, para o amigo, para a vida e, muitas vezes, para si mesmo. É se ensaiar para ajudar a formar seres humanos mais coerentes e conectados com valores e com a realidade.

É ensinar o que pode e o que não pode. É organizar a vida. É nesse se dar limites, também, que alcançamos a coerência nas nossas atitudes, palavras e pensamentos.

O poder que você dá para o outro, para o atrapalhado que te prejudica, para o maldoso que é sem direção positiva, para o controlador que acredita que tudo tem de passar pelo seu aval, te prejudica ou te devolve para ti.

E você entra nessa perturbação, mas pode desviar, não se deixar levar, mudar a rota ou ensinar, quem sabe, que tudo pode ser diferente. Antes, talvez, precise aprender, necessite se desenvolver e ampliar o que enxergou até ali. Isso é ir além de si mesmo.

Que eu é esse que se liga a outro eu – formando o nós? Que nós são esses que podem desatar e seguir sozinhos em um eu...

Vivemos um constante aprender, reaprender, transformar o que sabemos, e isso porque estamos vivos e conectados com a vida que se modifica. Sozinhos ou em grupos, assim seguimos...

Sabemos, no entanto, que a vida é uma viagem, tem o repetir de ano, tem o ficar de recuperação, tem o fazer novamente, até o aprender diferente, tudo isso está ali dentro de você. De qualquer forma, sempre seguindo na tentativa de ir além do que sabemos naquele momento, nos encontramos...

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Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas. É palestrante e escritora, autora de oito livros: três de psicologia, três de crônicas e dois de poesia.

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