Os dias passam e, se não tomarmos cuidado, enxergamos tudo sempre do mesmo jeito, da maneira que aprendemos e, assim, seguimos olhando afazeres, entrando no automático, com respostas prontas, que surgem instintivamente, sem nos questionarmos se aquilo é viável ou não, se realmente é dessa maneira que considero aquela situação, pessoa, etc... Às vezes, até maneiras desnecessárias, mas não sabemos ser, fazer, dizer ou sentir diferente de como fazemos e como aprendemos.
O que é me respeitar? Me respeitar é ir ao encontro do que tem coerência dentro de mim. É direcionar meus dias. É cultuar valores que me são sagrados. É ir em busca do que acredito. É resgatar o simples, o belo que faz sentido em mim, para mim.
Me respeitar é me permitir mudar de opinião, de atitude, de olhar. Afinal, mudar é ampliar meu olhar. É crescer. É me modificar. É não ficar parada no mesmo lugar.
Ser honesto consigo é o início desse trajeto, é se olhar, inclusive como se construiu e como se deseja ficar. Quando se evolui, se muda, não necessariamente o outro muda. Conviver com isso é desafiador.
Para isso, é preciso revirar as gavetas dos aprendizados e ver o que é adequado e o que não serve mais. Esse é o caminho mais seguro para reavaliar o vivido e a nova direção para se encontrar com as novas verdades que estão em mudança. E se faz necessário empreender constantemente.
No entanto, precisamos ter consciência de que tem coisas que doeram e que podem ainda estar doendo muito. De algumas pessoas é imprescindível nos distanciarmos. Não por estar magoada, triste, com raiva, ruminando o que aconteceu, mas por perceber que eles não querem a sua presença, ainda estão negando relações e transformando afetos em distanciamentos...
Quanto a mim, percebo que, nesse momento, mereço respeito. Não por estar numa idade madura, mas por descobrir que tenho valor e por ter aprendido a me respeitar. E isso me faz aproximar-me de pessoas e situações que me fazem bem, que me valorizem. Entretanto, não me esquivo dos que desejam me diminuir, pois olhar para eles, como alguém que um dia vai aprender, me ajuda a não me deixar abater.
Disso tudo, a principal questão é: me respeita, e isso eu aprendi... enfim!
Neusa Picolli Fante é psicóloga clínica especialista em lutos e perdas. É palestrante e escritora, autora de oito livros: três de psicologia, três de crônicas e dois de poesia.
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